segunda-feira, 14 de março de 2016

Jornal Correio de Uberlândia


Defensores de uma sistema falido. 
Artigo publicado dia 14 de março no Jornal Correio de Uberlândia.
(http://www.correiodeuberlandia.com.br/colunas/pontodevista/defensores-de-um-sistema-falido/)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Jornal Estado de Minas

O artigo "A mãe, a menina e o lixo" publicado no 
Jornal ESTADO DE MINAS 
na edição de hoje 10 de março, no caderno de Opinião.


Jornal Correio de Uberlândia

O artigo "A mãe, a menina e o lixo" foi publicado 
no dia 07 de março no Jornal CORREIO DE UBERLÂNDIA.


(http://www.correiodeuberlandia.com.br/colunas/pontodevista/mae-menina-e-o-lixo/)

Defesa de um sistema falido
Artigo publicado no Diário de Caratinga no dia 08 de março.

Para se formar uma nação é preciso um território delimitado, onde são conhecidas as suas fronteiras, um povo que pode ser identificado culturalmente e um governo organizado. Estes princípios básicos praticamente sustentam a formação de uma nação.
Sobre o território acredito que não há dúvidas a respeito das nossas fronteiras. São conhecidas, asseguradas e aceitas pelos órgãos nacionais e internacionais.
Em relação ao povo, sabemos que, historicamente, nunca foi visto como parte integrante do país, da nação. A não ser como mão de obra barata e durante muito tempo de forma oficial escrava. Assim, infelizmente a nossa cultura popular, do povão, que foi se desenvolvendo ao longo dos séculos acaba não contribuindo para o desenvolvimento da própria pessoa. Haja vista o que faz sucesso nas terras tupiniquins. Mas é claro, devemos sempre buscar as raízes de tudo isto, para podermos entender o processo e por consequência quem sabe procurar meios para reverter tal cenário. Lembrando que um bom início seria a oferta de condições reais e eficazes de uma educação verdadeiramente de qualidade.
Mas neste artigo vou reter-me à reflexão sobre a importância de um governo organizado. Que não é o nosso caso, pois pelo visto em nosso país demonstra estar falido, se é que um dia, nestes 516 anos, ele realmente desempenhou a sua função em prol da nação.
É estranho como as coisas acontecem por aqui. Uma eterna briga pelo poder, utilizando-se sempre da mesma bandeira, que teria o povo como o grande beneficiado. O resultado de fato nada acontece. O Brasil continua o mesmo, o país do futuro, perpetuando a esperança que agora vai, que daqui pra frente vai ser diferente. Mas de concreto nada!
Há anos ouço falar que estamos em crise, que as coisas não funcionam no Brasil, que aqui é assim mesmo, o bendito “sistema” não deixa as coisas fluírem, não adianta ninguém tentar mudar, pois não conseguirá fazer nada, e assim vai, desculpas e mais desculpas que mantêm as coisas sempre do mesmo jeito, na mesma ordem em que se encontram. E o pior, pensar assim está culturalmente impregnado na mente de cada um de nós, por mais que tentamos pensar diferente tem hora que nem a gente mesmo acredita que pode ser diferente.
Ensinaram-nos que deveríamos tomar partido, lotar as ruas com manifestos, defender a todo custo aqueles que nos governam ou que deveriam nos governar. Mas não nos ensinaram a pensar sobre eles. Ensinaram-nos que devemos seguir, acreditar, defender, brigar e pronto. Assim, qualquer coisa que falamos sempre será visto como um ataque ou defesa de alguém. Mas toda este lengalenga promovida pelos brasileiros, não muda em nada a forma secular de agir dos nossos governantes que estão sempre se revezando no poder. Por mais que se tenha o discurso barato dos nós contra eles, elites contra os pobres e assim vai.
O resultado deste ensinamento é que sempre estamos torcendo e/ou defendendo alguma sigla ou pessoa, independente da forma como que ela se manifesta ou se mostra. A polarização pela qual aprendemos acreditar e defender como certo na verdade está matando a nossa esperança.
Quando as nossas escolhas partem do fanatismo cego estamos apenas contribuindo para a manutenção cruel deste sistema falido no qual dia após dia estamos mergulhando. Sem querer estamos inconscientemente defendendo lacaios, transfigurados de homens públicos.
Veja como está o nosso país, um campo de guerra partidária, onde seus líderes através de falácias usam o povo como escudo. Mostram-se diferentes, mas de fato são iguais. Todos são recheados de escândalos, mentiras, artimanhas, falcatruas… cada um da sua forma contribuindo com a deformação do país.
E por que nossa dita justiça não se torna mais ágil? Por que as investigações esbarram na mediocridade dos interesses de quem pode e sabe mais? A morosidade da “justiça” demonstra mais uma vez a falência do nosso sistema governamental em todas as suas esferas e repartições.
Sem querer estamos nos acostumando a defender bandidos. Achando que um dos lados é melhor do que o outro. Parece que estamos cegos! No campo de batalha que é a própria luta pela sobrevivência o bom senso e a justiça a cada dia estão perdendo seu espaço para a burocracia e a ignorância. Assim gastamos nossas vidas defendendo quem nos tira a dignidade de viver.
Não queremos enxergar e acreditar que pode ter uma terceira, quarta, quinta… via que pelo menos tentará outras possibilidades de gestão da nossa nação. Enquanto isto, vamos continuar brigando, xingando uns aos outros e mantendo a ciranda podre do poder que tomou conta do gigante adormecido chamado Brasil.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Jornal Hoje em Dia

O artigo "A mãe, a menina e o lixo" foi publicado na edição do dia (07/03) 
no Jornal HOJE EM DIA de Belo Horizonte. 


(http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/opini%C3%A3o-1.268900/a-m%C3%A3e-a-menina-e-o-lixo-1.383935)

Convite lançamento de livro


terça-feira, 1 de março de 2016

Artigo no Diário de Caratinga

COPASA: EMPRESA TRAIDORA?
Artigo publicado hoje (01/03) no Jornal Diário de Caratinga.

Já faz uns bons anos que a relação da COPASA com os consumidores de Caratinga anda desgastada. Sempre há algum debate envolvendo as atividades da empresa. Visitando o site da COPASA pode-se perceber que ela não tem cumprido sequer com os seus próprios princípios empresariais, assim, pelo visto podemos afirmar que ela está traindo os seus consumidores. Esta afirmação pode ser confirmada pelas seguintes situações.
Ela nos trai quando não se vê como uma empresa pública, que deveria em primeiro lugar cuidar da sua missão que é “prover soluções em abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental”. Como toda empresa ela deve buscar o lucro, que permitirá o seu desenvolvimento. Mas o lucro deveria vir por consequência da sua missão cumprida. Lucrar sem cumprir com sua missão é uma grande traição, é fraude.
Ela nos trai quando permite que em nome dela empreiteiras furem praticamente todas as ruas da nossa cidade e depois façam um serviço de péssima qualidade ao tampar os mesmos buracos, deixando as ruas numa aparência horrível e de tráfego sofrível. Sei que o problema não é fazer os milhares de buracos, pois faz parte do trabalho, a questão é como são recuperados, se é que podemos dizer que são. Quanto dinheiro público é gasto realizando repetitivamente a mesma obra, pois o serviço prestado é sempre de péssima qualidade.
Ela nos trai quando cobra há anos uma taxa de esgoto, sem sequer oferecer o serviço. Anos e anos pagando por uma coisa que não existe. E quando a estação de esgoto começou a ser feita, vários foram os questionamentos que surgiram: se aquele realmente seria o melhor lugar? Por que houve alteração do lugar proposto a princípio? Foi para atender algum interesse particular? Dúvidas estas que caíram no esquecimento e não foram respondidas a contento.
Ela nos trai quando finge dizer que está canalizando todo o esgoto, mesmo sabendo que isto não é uma verdade. Caratinga ainda enfrenta graves problemas com saneamento básico. Sem mencionar que várias redes domésticas não foram de fato canalizadas aos adutores de esgoto.
Ela nos trai quando não permite que seus funcionários, pois com certeza muitos são competentes, ocupem os cargos estratégicos, cargos realmente de gestão da empresa, pois estes são ocupados por apadrinhados políticos que muitas vezes demonstram nem saber o que estão fazendo ali. Servindo apenas para manter o sistema politiqueiro em que as coisas públicas acabam ficando a serviço de alguns.
Ela nos trai quando não percebeu o crescimento da demanda da população e continuou sendo mantida somente pelo córrego do Laje. E o pior, quis colocar a culpa em São Pedro, “acusando-o de mandar” pouca chuva para a nossa região. Mas na verdade nunca fez nada de concreto para “preservação dos recursos hídricos”, incentivando a preservação e criação de matas ciliares e proteção de nascentes, um dos seus objetivos.
Ela nos trai quando não cumpre, além dos descritos anteriormente, os seus seguintes princípios, valores e crenças, destacadamente mencionados no site oficial da empresa: “diálogo permanente com o poder concedente; crescimento sustentável; responsabilidade socioambiental; foco na satisfação do cliente; qualidade dos serviços prestados”.
Pelo visto ela só não trai os interesses obscuros, politiqueiros e que foge de tudo aquilo que ela verdadeiramente deveria ser e servir.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Participação na Rádio Nova Geração FM


"O nosso programa ontem, 29/02/2016, contou com a presença do ilustre professor Walber Sousa, que fez comentários a respeito de temas polêmicos como política e economia, usando de seu conhecimento para analisar o momento do país e destacar a importância que mudanças tem para que possamos dar um passo a frente, tanto na política como na economia. 

Fique ligado na nossa programação sintonizando no seu rádio na 98.1FM ou através de nosso site, www.novageracaofm.com.br
Rádio Nova Geração, a diferença, é a música!"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Artigo no Jornal Diário de Caratinga

A MÃE, A MENINA E O LIXO

Artigo publicado hoje (23/02) no Jornal Diário de Caratinga.

Provavelmente seria um dia como outro qualquer, as pessoas acordando, saindo de casa e dirigindo-se a seus postos de trabalho. Mas aquela manhã foi diferente, ao sair de casa algumas pessoas se depararam com uma imagem estranha vindo de um monte de entulho misturado com lixo e ao se aproximarem perceberam que aquela imagem se tratava de uma criança recém-nascida ali jogada.
Num primeiro momento o espanto, os gritos, as fotos, noutro o desespero, a raiva, os julgamentos. Todos queriam saber por qual motivo aquele episódio estava acontecendo. Pois não era uma mulher que havia abandonado uma criança, mas sim uma mãe que deixara sua filha à mercê da morte. E as respostas, é claro, não tardaram a aparecer, a culpa é da mulher, da mãe.
Como o ocorrido é recente, as letras misturam-se com a indignação, e isto pode levar a reflexões desprovidas de sentido, mas como uma forma de desabafo e mesmo correndo o risco de palavras descabidas, vou tentar deixar algumas análises que a meu ver cabem perfeitamente na triste realidade em questão.
Sabemos que o abandono de crianças em lixos, caçambas, calçadas não é um fato novo nem tão pouco incomum na nossa sociedade, infelizmente periodicamente somos envolvidos com noticiários deste tipo. Este não foi o primeiro caso e certamente não será o último. Mas o que está provocando tais comportamentos?
É claro que o sentimento de raiva torna-se presente em uma ocasião desta. Saber que uma mãe simplesmente descartou sua filha, como se fosse uma embalagem sem utilidade alguma é dolorido. É preciso muita calma para não dar a ela o mesmo destino. E é preciso ter calma, muita calma, respirar e pensar. Assim deixo alguns questionamentos.
Primeiro: onde está o pai desta criança? Onde está aquele que deveria ser o corresponsável por acompanhar a gestação, por cuidar da gestante? Onde está o homem que foi homem/reprodutor, mas pelo visto não quis ser pai?
Milhares de crianças na nossa cidade, no nosso país, são abandonados pelos seus pais, muitos sequer recebem o seu nome, suas certidões de nascimento carregam o vazio do abandono, outros nunca tiveram um contato que durasse pelo menos um dia. Mas culpar a mãe, a mulher é sempre mais fácil.
Segundo: o alimento intelectual da maioria, com a desculpa de que tudo é cultura, é recheado de um vazio, que até o vácuo se sente cheio. A banalidade da vida está estampada em todos os lugares. A atual configuração do ser parece receber uma programação em que os valores são algo sem procedentes, sem sentido. Assim, matar, viver, nascer… parece ser a mesma coisa. Desde tenra idade somos envolvidos por uma série de situações que retiram do ser a sua essência.
Uma pessoa que cresce acreditando que tudo aos poucos vai perdendo o seu sentido, que o que importa na vida é se dar bem custe o que custar, vai valorizar o quê?
A morte da menina é um retrato cruel de milhares de crianças que estão mortas pelo abandono, mas que ficam perambulando pelas ruas como zumbis, sem alma, sem rosto, sem destino, morrendo aos poucos. A morte da menina é um retrato cruel de como os adultos percebem a vida, os seus semelhantes.
Terceiro: voltando à mãe, mas uma peça desta engrenagem desumana, onde estão todos aqueles que por competência deveriam estar acompanhando de perto a gestante? Onde está sua família? E os órgãos públicos que deixam as pessoas abandonadas em troca dos intermináveis conchavos politiqueiros? Onde estão as pessoas que conheciam a mulher e sabiam da situação dela e preferiram o silêncio?
Não quero vitimizar ninguém, nem tão pouco defender o que não se defende. Pois isto não cabe a mim! Mas nossa sociedade aos poucos vai colhendo o que ela mesma está plantando. E não adianta fechar os olhos, os ouvidos, tudo é fruto daqueles que se acovardam, daqueles que não têm coragem, daqueles que se omitem, daqueles que preferem ver a banda passar, daqueles que preferem o silêncio, o silêncio da covardia.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Jornal Diário do Rio Doce

Artigo "República de lama" publicado no Jornal Diário do Rio Doce, 
da cidade de Governador Valadares no dia 25 de novembro de 2015.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Artigo publicado no Jornal Diário de Caratinga

CUIDE DO SEU BAÚ
Artigo publicado (02/02) no Jornal Diário de Caratinga.


Em tempos idos era comum a prática de se guardar tudo. Qualquer coisa que fosse não era descartado, pois se acreditava que em algum momento poderia ter alguma serventia. A lata de massa de tomate depois de usada virara caneca, que de tanto usar furava e acabava tornando-se um suporte de prender as antigas vassouras feitas de um tipo de mato, muito usada nas roças para varrer os terreiros. Os pinicos viravam vasos de plantas, as sacolas de leite transformavam-se em forros de mesa, as roupas de filho em filho transfiguram-se em panos de limpeza. Tudo durava literalmente até acabar, portanto, as mais diversas experiências tornavam-se mais duradouras.
Assim, ao longo da vida as pessoas, mesmo sem perceber, colecionavam um pouco de tudo. E as coisas mais importantes acabavam ganhando um destino especial, os baús ou em outros casos uns grandes caixotes de madeira, muito comum nas antigas casas rurais.
Estes baús gradativamente vão se preenchendo de tudo aquilo que de alguma forma carrega consigo um valor que vai além da própria matéria dele constituída. As fotos marcam o tempo e levam consigo as lembranças dos momentos que ali se eternizaram, pois por serem únicos não se repetirão. As roupinhas dos recém-nascidos, os primeiros dentes, os primeiros cabelos cortados, os anéis, as alianças de casamentos dos avós, pais, padrinhos, os lenços, as canecas… Enfim, tudo aquilo que de alguma forma representa algo imaterial: as lembranças, os sentimentos, as saudades, a personificação das pessoas queridas.
O mês de fevereiro pode ser caracterizado pelo mês em que muitas pessoas despertam para a abertura da tampa dos seus baús. Quantos estão deixando as suas casas, suas famílias em busca de novos dias, de novos planos. Abrindo as portas dos seus baús para guardarem as lembranças da convivência com outras pessoas, novos ambientes, novos aprendizados.
E aos poucos o nosso baú deveria ser preenchido pelo bem mais precioso, e que nenhum ouro do mundo paga, nenhum apagador apaga e nenhum ladrão nos rouba: o conhecimento; que provém das nossas experiências, das nossas leituras, dos diálogos, dos nossos estudos, das observações que fazemos das coisas que nos rodeiam.
E por que o conhecimento se torna importante para a nossa vida? Porque além de ser uma das chaves do nosso baú será também o combustível que nos dará força para quando for a hora de termos coragem de limpar o baú.
Pois como todo recipiente chega um instante que ele começa a ficar lotado. Num primeiro momento vamos apertando aqui, ali, e tentando de alguma forma introduzir aquilo que queremos guardar, mas chega uma ocasião que começamos a perceber que a tampa não está fechando direito, que está lotado demais, até que não dá mais e verificamos que é preciso parar para cuidar do baú.
Tirar tudo para fora, conferir peça por peça e ver dentre aquelas quais merecem ocupar novamente o espaço do baú. Sobre algumas coisas ficaremos em dúvida se vale a pena guardar novamente ou não, outras teremos certeza que já não vale a pena mantê-las ali e tantas outras terão eternamente o seu espaço cativo. Pois a vida é assim, o conhecimento vai nos mostrando o que de fato tem importância para a nossa vida, para a nossa história, para a nossa existência e o que representa apenas um momento, importante quando aconteceu, mas que não vale a pena ficar simbolicamente eternizado.
Assim, quando completamos o nosso ciclo biológico na terra e os primeiros dias de luto dos familiares passam, um dos primeiros lugares a serem mexidos e remexidos é o baú de quem nos deixou. Pois dele com certeza brotarão as principais lembranças de toda a nossa vida.
Cuidar do nosso baú significa cuidar da nossa vida. O conteúdo do baú refletirá e muito o que fomos, o que acreditamos, nossas qualidades e mazelas. Cuidar do baú significa cuidar de nós mesmos. Uma vida não cabe em um baú, o que cabe são alguns momentos, algumas histórias, algumas marcas, aquilo que realmente somos. Não percamos a coragem e zelo de cuidar do nosso baú.
Walber Gonçalves de Souza é professor.