terça-feira, 16 de junho de 2015

Faculdade do Café: orgulho de Caratinga
Walber Gonçalves de Souza
          

Noite fria, a presença do sereno era tão forte, que quando olhávamos sobre alguma superfície, parecia que estava caindo uma fina garoa. Os transeuntes completos de agasalhos. As mulheres transfiguradas com o charme da alma feminina e os homens trajados com vestes típicas para as noites de junho, em dia de festa de São João.
                
O local da festa mostrava-se cuidadosamente preparado, com uma enorme fogueira, umas das maiores do planeta, um palco em fase de ajustes finais para o grande show da noite, barraquinhas totalmente enfeitas com bandeirolas, e servindo os quitutes típicos para as noites frias de inverno, um parquinho de diversão para divertir e acolher as crianças e um estande, que trazia no centro, uma linda maquete para que todos conhecessem, de forma diminuta, a Faculdade do Café, a tão esperada estrela festa.
               
Todos estavam preparados para o grande dia, naquela noite de 24 de junho, dia em que a cidade de Caratinga completaria 130 anos, seria inaugurada a primeira Faculdade do Café do Brasil.
                
As instalações da Faculdade do Café foram detalhadamente pensadas. Seu objetivo maior, seria pesquisar e oferecer à sociedade todas as possibilidades potenciais do cultivo do café. A estrutura física ficou organizada e distribuída da seguinte forma: uma área de produção de mudas, que contava com os mais diferentes tipos de plantas; foram selecionados, em várias partes do município, pequenos terrenos para servirem de campo experimental, no qual seriam cultivadas várias espécies de café, assim, saberíamos qual tipo de muda seria o melhor para determinada região; em parceria com empresas privadas, vários laboratórios foram montados: Laboratório de Genética de Plantas, para o estudo e aperfeiçoamento genético das mudas, possibilitando possíveis correções estruturais das plantas, permitindo uma melhor adaptação às condições geográficas e climatológicas da região; Laboratório de Insumos e Adubação, responsável por indicar os nutrientes que seriam pertinentes ao cultivo de cada região; Laboratório de torrefação, que estudaria à que temperatura cada tipo de café seria torrado para melhor aproveitar seus aromas e sabores; Laboratório de Mecânica, para desenvolver os aparatos, próprios para o cultivo do café, dentro das nossas características topográficas, bem como, aparelhos para o uso doméstico e comercial; Laboratório Fitoterápico, para pesquisar as potenciais possibilidades do uso medicinal do café; Laboratório de Estética, que seriam pesquisados o desenvolvimento de cremes, xampus, perfumes... enfim, os vários tipos de cosméticos; Laboratório de Artesanato, para ministrar técnicas do uso da madeira para a produção de artefatos de decoração; Laboratório de Alimentos, para o desenvolvimento de receitas para o uso do café, em que englobariam a produção de doces, balas, tortas, bombons, os diversos tipos de café expresso, bebidas...; Laboratório de Despolpa, para o estudo da destinação adequada para os resíduos da produção cafeeira; Laboratório de Estudos Ambientais, para pesquisar e analisar os impactos do cultivo no ambiente e indicar sugestões de adequação para amenizar os possíveis danos; Laboratório de Colheita de Grãos, para o desenvolvimento de técnicas de colheita para estar adequada à destinação do café, para qual o seu uso.
                
Na área da faculdade seria possível observar também, áreas de secagem, armazéns de estocagens, um pequeno "Porto Seco" para recebimento de amostras, um Centro de Convenções para palestras e cursos para os produtores, um loja para venda dos produtos desenvolvidos na faculdade e região, uma biblioteca... e um belo e atraente Museu do Café, que serviria para divulgar a cultura cafeeira e guardar a memória dos cafeicultores.
                
E o momento chegou, entre aplausos, foguetes, simbolicamente a fita de inauguração foi cortada. O nome dos estudantes da primeira turma, dos professores e equipe técnica foram anunciados. O primeiro dia de aula estava com a data marcada.
                
Assim, cada ano que se passava, novos empreendimentos iam chegando à cidade de Caratinga. A faculdade trouxe com ela a oportunidade para novos empreendimentos, empresas começavam seus trabalhos, entre elas, produtoras de embalagens, rótulos, marketing, logística... consequentemente novos postos de trabalho, desenvolvimento social. Nasce também a Festa do Café, que ano após  ano aglomerava mais pessoas, movimentando o turismo e o comércio.
                
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município destaca-se entre as cidades do Brasil. A Faculdade do Café representou uma ruptura, Caratinga nunca mais foi a mesma depois dela, pois toda a população, das mais diversas formas, passou a participar da riqueza produzida pelo café.
                
Passados 37 anos, da inauguração da Faculdade do Café, em mais uma noite fria, de festa, uma nova notícia, está aquecendo a alma dos caratinguenses. O Reitor, em seu último ato, pois irá se aposentar, foi convidado pelo prefeito, para dar a todos mais um presente: a penitenciária será desativada, passará a abrigar um centro cultural.

Walber Gonçalves de Souza é professor. 
(Artigo publicado simultaneamente nos jornais: Diário de Caratinga,
 Diário de Manhuaçu e Diário de Teófilo Otoni no dia 16 de junho.)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Potencial turístico de Caratinga: uma reflexão


As cidades são formadas por um território delimitado. E cada uma delas apresenta suas potencialidades, fruto das características percebidas dentro do seu limite territorial, que são provenientes dos diversos setores e aspectos. Estas potencialidades podem ou não colaborar para o seu desenvolvimento, pois dependem de como elas são tratadas.
O desenvolvimento de qualquer cidade é o reflexo das oportunidades que nela se manifesta. Algumas apresentam oportunidades de origens naturais/ambientais e outras, justamente, por não possuírem tais características, procuram o desenvolvimento via o processo industrial, tecnológico, festivo, gastronômico... criando assim, nichos de crescimento. Já algumas outras procuram mesclar, ou até mesmo criar uma cadeia produtiva, agregando valores e incrementos, entre os recursos naturais locais e a industrialização destes.
Mas neste artigo, gostaria de concentrar em um foco específico, em uma oportunidade de desenvolvimento para o nosso município, que é o seu potencial turístico. Mesmo sabendo, que o assunto não é uma novidade teórica, pois ele já esteve em evidência em outros momentos, mas por estar adormecido, sendo deixado de lado, e por conseqüência, uma forma de desperdício de uma possibilidade de geração de renda e desenvolvimento social.
Poucas cidades apresentam tantos atrativos turísticos como o nosso município. Mas a sensação que temos é que aqui não tem nada. Que somos desprovidos de qualquer forma de fomentação ao turismo. Vejamos algumas que se perderam com o tempo, pela descaso como foram tratadas e outras que estão ai, debaixo dos nossos olhos, sendo, eficazmente, deixadas de lado.
Acredito que historicamente, perdemos uma grande oportunidade de perpetuar o Santuário de Adoração Perpétua, como um espaço de turismo religioso, como acontece em várias outras cidades Brasil afora. A figura do Padre Colombo, foi simplesmente ignorada. Um ícone da religiosidade da nossa região foi simploriamente renegado ao nada. Não pretendo e nem quero, neste espaço, entrar em questões religiosas, mas, pensamento turisticamente, a história do Padre Colombo poderia ter tomado outro rumo na nossa cidade.
Outro ponto que merece uma reflexão, sem entrar em mérito de valor ou gosto pessoal, mas observando com um olhar de fomentação ao turismo, a existência em nossa cidade de  personagens conhecidos nacionalmente, mundialmente... mas que praticamente não fazem parte do contexto turístico do nosso município. Temos uma Miss Brasil, nossa conterrânea Stael Abelha, um cantor dono de uma das vozes mais conhecidas e admiradas, que é o Agnaldo Timóteo, um escritor e cartunista mundialmente conhecido, o renomado Ziraldo. E tantos outros personagens culturais, que se destacam de alguma maneira em outras terras, mas que aqui, na terra da palmeiras, ou são desconhecidos ou pouco valorizados.
Em grande evidência pelo mundo, o turismo ecológico e/ou ambiental, conduzido de forma sustentável, é uma das formas de desenvolvimento, portanto de geração de renda, que se destaca em vários locais. Fazem parte das características naturais de Caratinga, a APA (Área de Proteção Ambiental) Pedra Itaúna, de uma beleza natural ímpar;  a reserva biológica, conhecida mundialmente como RPPN Feliciano Miguel Abdala, localizada no Distrito de Santo Antônio do Manhuaçu; a Lagoa do Piau; a Lagoa Silvana, que acreditamos pertencer à Ipatinga; várias cachoeiras, entre elas cito a cachoeira do Bom Será, situada nas mediações do Distrito de São João do Jacutinga.  Cada uma delas com suas particularidades naturais e mesmo observando as leis ambientais, que normatizam o uso destes espaços, poderiam servir para práticas de ciclismo, pesca esportiva, caminhadas ecológicas em trilhas, mirantes, esportes radicais... e tantas outras formas de lazer.
Assim, chegamos a uma preocupante conclusão: pouco adianta existirem os meios se eles não são usados, fomentados. Nosso maior problema chama-se abundância de meios. Possuímos tantas formas de incrementar o turismo e ao mesmo tempo eles são tão subutilizados. Há um desperdício, em tempos de crise, de caminhos para diversificar a economia e conseqüentemente de incentivar o desenvolvimento de Caratinga.


Walber Gonçalves de Souza é professor.

sábado, 30 de maio de 2015

Voltaire tinha razão
Walber Gonçalves de Souza

Manhã de sábado, um dia ensolarado, convidativo para uma prática esportiva. Ao fundo o gorjear dos pássaros e o som dos passos, daqueles, que ligeiramente transitam rumo aos seus postos de trabalho. Foi neste cenário que Voltaire, seguindo sua rotina, despertou-se, levantou-se, começou a preparar o café e quando este fervia, foi até onde está localizada a caixa de correios, para buscar os jornais que ele recebe todos as manhãs.  
                
Folheando as páginas dos jornais, enquanto saboreava sua refeição matinal, entre manchetes, notícias, fotos e artigos sentiu que faltava algo. Aquelas folhas transfiguravam incompletas, os tipos que ali constavam não demonstravam sentido. Parecia que o que esperava ler não estava ali.
                
Com a face demonstrando introspecção, passo a passo, caminhando vagarosamente, Voltaire, dirigiu-se rumo à janela, que fica de frente para a rua e ali em um ato solitário começou a observar tudo que suas vistas poderiam alcançar. As casas, os tipos de construções, as cores... em alguns momentos os efeitos da memória resgatava os tempos idos e as intermináveis comparações temporais eram inevitáveis. O que no passado era sim, hoje não é mais, o que estava vazio, hoje está cheio... o espaço de visão era aberto, hoje as brechas entre paredes, criam um labirinto para o olhar.
               
Envolto pelos raios solares, que começavam a invadir a janela, observava o vai e vem das pessoas que transitavam pela rua, sendo que algumas deixavam o tempo passar em um momento de prosa. Balbuciavam sobre tudo... como seria o tempo no final de semana, os resultados dos jogos do brasileirão, os casos de polícia e da política, em todos os seus âmbitos, de Brasília ao gabinete do prefeito, a agenda do fim de semana, as festividades de maio...
               
Quando tudo parecia calmo, voltou seu olhar para a Pedra Itaúna, e ficou admirando a beleza ímpar, proveniente daquela parede de pedra, que enfeita a cidade das palmeiras. Suas curvas, sua textura, a rala vegetação que insiste em querer fazer moradia no seu entorno, tentando fugir, ano após ano, das chamas que insistem em visitá-la. Às vezes o curso dos seus olhos contemplavam o céu e a imaginação fluía... mas sem que notasse estava novamente fixando-se naquela imensa pedra.
                
Assim, os sentidos não detectaram, que a rotação e translação terrestre iam completando suas jornadas, os segundos, os minutos... percorriam seu destino marcando suavemente o tempo... De repente um gato, de aparência vistosa, passa em um ritmo apressado, parecia estar fugindo de algum perigo canino. Levando o olhar de Voltaire a desviar-se e logo em seguida encontrar um outro pouso... a beleza de um pássaro amarelo, o famoso canarinho, que já esteve ameaçado de extinção, mas que sobreviveu ao tempo e aos perigos das gaiolas, fazendo-se presente nos muros, fios, portões... que delimitam os contornos das ruas, formando a polis contemporânea.
                 
Fixando naquele ponto amarelo, ele foi envolvido pela melodia serena, que saia do bico daquele pequeno ser, em formas de ondas invisíveis mas que se tornavam audíveis. Foi aí que Voltaire lembrou-se do seu famoso homônimo. Neste momento, percebeu o que faltava nas páginas daquele jornal.


Walber Gonçalves de Souza é professor. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Minas Brasil: a cooperativa de não sócios
Walber Gonçalves de Souza

                Primeiramente, vamos esclarecer o que significa e qual a visão que se deveria ter de uma cooperativa. De acordo com o Dicionário Aurélio pode ser entendido como "empresa organizada e dirigida pelos usuários de seus serviços, visando o benefício destes e não o lucro". A Política Nacional de Cooperativismo foi regulamentada em 1971, e tinha por princípio que a "cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economicamente organizada de forma democrática, isto é, contan­do com a participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos." Mas antes disto, o Congresso de Praga, em 1948, dizia que "será considerada como cooperativa, seja qual for a constituição legal, toda a associação de pessoas que tenha por fim a melhoria econômica e social de seus membros pela exploração de uma empresa baseada na ajuda mínima (...)".
                De forma sucinta, percebemos então, que cooperativa é um grupo de pessoas, de sócios, que se organizam, que trabalham num mesmo tipo de serviço, com objetivo de diminuir gastos e melhorar economicamente e socialmente as condições dos seus membros, os sócios, partilhando deveres e logicamente o possível lucro.
                Em Caratinga, a exemplo do que acontece em vários outros municípios, o transporte escolar e de outros setores da prefeitura, ficou sob a responsabilidade de uma cooperativa. Aqui era denominada Cooperminas e que agora atende pelo nome de Minas Brasil. Com objetivo de diminuir gastos, de acordo com a justificativa do poder público, este serviço foi terceirizado, portanto, passou a ser prestado pela cooperativa em questão. Que deveria se enquadrar em todo o entendimento já exposto nos parágrafos acima.
                Mas pelo visto está acontecendo algo inusitado, que tentarei explicar, mas confesso que nem sempre consigo entender. Vejamos!
                O valor repassado, pela prefeitura para a cooperativa, por carro (Kombi), é do valor aproximando de 6,018,00 reais (seis mil e dezoito reais), valores de 2012 . Acredito que este valor tenha sofrido pouca alteração até os dia de hoje. Já o valor repassado para os cooperados pela cooperativa, em valores aproximados, gira em torno de 3,800.00 (três mil e oitocentos reais). Observamos portanto, um diferença de cerca de 2,200.00 (dois mil e duzentos reais), por carro. Sem esquecer que há outros tipos de veículos, como ônibus, vans, picapes, que apresentam valores mais elevados.
                Outro ponto que merece atenção está relacionado ao fato do repasse da prefeitura para a cooperativa ser feito em 12 parcelas, equivalente a uma por mês. Mas isto não acontece em relação aos cooperados. Eles nãos recebem o mês de janeiro e os respectivos dias de recesso, que acontecem durante o ano, como por exemplo, cito as férias do mês de julho. Os cooperados recebem em julho somente os dias trabalhados, mas a cooperativa recebe o valor integral da prefeitura.
                Façamos uma conta simples. Imaginemos que a prefeitura terceiriza 50 carros (kombi) durante o ano para atender os setores de transportes das suas secretárias de educação, saúde... A prefeitura repassa o total (aproximado) de 301 mil reais mês, cerca de 3 milhões e 600 mil ano para a cooperativa. Em compensação, continuando nossa contabilidade, a cooperativa repassa para os cooperados cerca de 190 mil reais mês, cerca de 2 milhões e duzentos e oitenta mil por ano.
                Assim, observamos que durante o ano sobrou cerca de um milhão e trezentos mil reais. Digamos que a cooperativa gastou, em despesas burocráticas, para ser a "ponte" entre a prefeitura e os trabalhadores cooperados cerca de 300 mil ano, que já é um absurdo, verificaremos que restou cerca de um milhão ano. E é justamente aí que as dúvidas aparecem.
                Vejamos algumas: para onde este dinheiro que sobrou vai? Onde é aplicado? Por que os sócios cooperados não recebem o rateio do lucro da cooperativa? Por que não recebem um valor mais aproximado do valor transferido pela prefeitura? Quem afinal de contas é o "dono" desta cooperativa? Por que ninguém oferece informações precisas? Por que os vereadores e o poder executivo não questionam o conteúdo do contrato? Onde está o ministério público, a polícia federal?
                Em apenas um mandato, que de acordo com as leis atuais dura 4 anos, cerca de 4 milhões (pela nossos cálculos simples) saem dos cofres públicos sem destino. Para satisfazer os interesses sabe-se lá de quem.
                Como cidadão, sinto que no Brasil, a corrupção, a cada dia, ganha ares de legalidade. Criam-se formas, leis, jeitos para acobertar a sujeira que é feita com o dinheiro público. E pelo visto estamos presenciando mais uma dessas formas, presos pela legalidade com que os cofres públicos são assaltados.
                Minas Brasil, a cooperativa de não sócios! Minas Brasil, uma cooperativa em que os cooperados não participam de nada, a não ser trabalhar e encher de dinheiro público o bolso de um "fantasma".


Walber Gonçalves de Souza é professor. 

sábado, 16 de maio de 2015

O espaço urbano ditando o comportamento humano

Ao tentar decifrar os seres humanos, geralmente tomamos dois caminhos: um, levando em consideração os aspectos natos, portanto biológicos, aqueles que estão impregnados no nosso DNA, nossa carga genética; já o outro, procura interpretar o ser humano, observando a sua relação com o meio em que vive, as influências que sofre, os desejos e as vontades que possuem e as experiências adquiridas ao longo da sua própria existência.

Isto não quer dizer que seja uma tarefa fácil. Acredito que nunca será. Mas são tentativas, de alguma maneira, de dar respostas a indagações que inquietam a humanidade, fazendo o ser humano, mesmo que vagarosamente, descobrir a si mesmo.
                
Dentro deste objetivo, de tentar colaborar neste processo de nos decifrar, e entre as várias opções de análise, focarei o olhar no espaço urbano e a partir dele refletir alguns dos nossos comportamentos.
               
Viver coletivamente, não é uma escolha humana, faz parte da nossa natureza. Por inúmeros motivos temos que viver juntos, criando relações, elos... grupos. Ao longo dos séculos, estes grupos, foram se aperfeiçoando, criando identidade, formando aldeias, tribos, comunidades, povoados, cidades... fazendo do espaço em comum, o local de encontro dos indivíduos, o local em que a vida se mistura com tantos outras vidas e forma a sociedade.
                
O espaço urbano, o espaço da vida em comum, é o meio, o lugar em que as influências acontecem, os pensamentos se emolduram, a existência se gasta. E como somos influenciados pelo meio, automaticamente, somos direcionados pelo espaço em que vivemos. Daí a importância de se cuidar das cidades, pois muitos dos nossos comportamentos nascem justamente de como ela é.
                
Muitas vezes, através de conversas entre amigos, expomos algumas situações que gostaríamos de ver acontecendo. Principalmente, quanto se trata da vida em sociedade. Mas será que nossas explanações são realizáveis? Analisaremos algumas situações que observamos com freqüência no dia a dia das nossas cidades:
                
- Andar pelas ruas em detrimento às calçadas. Geralmente, nas ruas que traçam as nossas cidades, principalmente, as pequenas e médias cidades, quase não observamos a existência de calçadas. Quando digo calçadas, digo calçadas mesmo, dentro de padrões aceitáveis de circulação de pessoas e não uma pequena faixa de terra coberta por uma fina camada de concreto. Quando olhamos para os bairros periféricos esta realidade se acentua ainda mais. As poucas calçadas que existem, são em sua maioria, irregulares, mal feitas, cheia de empecilhos para que os transeuntes circulem de maneira minimamente confortável e sem riscos de tropeços e quedas.
                
- Jogar lixos pelas ruas. Uma das frases mais ditas nos educandários, relacionados ao lixo é: "lugar de lixo é no lixo". Subentende que o lugar de jogar o lixo são nas lixeiras e não no chão. Mas andando pelas ruas, dos nossos municípios, poucas são as lixeiras encontradas. Nos bairros são praticamente inexistentes.
                
- Fazer a travessia na faixa de pedestre. Respeitar as leis do trânsito ainda não é uma realidade. Como já disse anteriormente, nossas ruas não ajudam muito, mas espalhar, nos pontos necessários, as faixas pelas ruas é o primeiro caminho. Não sou especialista em trânsito, mas acredito que nos bairros, em pontos estratégicos, deveriam existir mais faixas. Assim, as crianças vão crescendo e acostumando com elas.
                
- Uso das vagas de estacionamento para idosos ou portadores de necessidades especiais. A importância destas vagas é indizível. Agora, para sua eficácia depende muito mais de quem não depende, diretamente, dela.
                
- Existência ou seria melhor dizer, a inexistência, de espaços públicos de lazer. Uma das características do mundo atual é que as ruas e lotes não podem mais ser usadas como espaço de lazer. Nas ruas o aumento do tráfego de veículos impedem tal procedimento por parte das crianças. Lotes vazios, praticamente não existem mais. Estes espaços acabaram, quais foram as contrapartidas? Simplesmente não existem. Assim, perdidas, as crianças ficam perambulando de lugar em lugar, inventando "moda" ou se trancando em casa, "curtindo" o fantástico mundo do faz de contas da vida real, entre jogos e jogos.
                
- Freqüentar ambientes culturais. Sem relativizar o conceito de cultura, quero usá-lo como sendo um meio pelo qual o ser humano se torna uma pessoa melhor, mais culto, mais intelectual... lugar onde se torna possível desenvolver suas potencialidades e incentiva o desenvolvimento da criatividade. Quantas crianças vão nascer, crescer, desenvolver... sem nunca ter freqüentado um espaço com esta finalidade. Podemos cobrar dela o gosto pela arte? O gosto pela cultura? E quais serão as atitudes e comportamentos destas pessoas totalmente alheios a este mundo cultural?
                
Cuidar das cidades, significa cuidar das pessoas. Cuidar do espaço urbano, significa incentivar o comportamento das pessoas. Só assim, nossas relações conquistarão indicadores mais aceitáveis e compatíveis com a maneira digna de se viver humanamente.

Walber Gonçalves de Souza é professor.

(Artigo publicado simultaneamente nos jornais: 
Diário de Caratinga, Diário de Teófilo Otoni e Diário de Manhuaçu, dia 16/05/15.)

sábado, 9 de maio de 2015

Transparência que não mostra nada
Walber Gonçalves de Souza


         
"Quem não deve não teme". Um dos ditados populares mais falados e conhecidos. E é justamente com base nele, que não consigo entender tamanha falta de transparência de tudo aquilo que envolve as coisas públicas no Brasil.
              
A partir do pensamento Iluminista, corrente político/filosófica, que dominou  a Europa no século XVIII, a vida pública e privada ganha conotações distintas. O direito à propriedade e a privacidade ganham espaço e ao mesmo tempo o sentido de se fazer política, também destaco o direito de cada cidadão poder votar, e a criação, por Montesquieu, da Teoria dos Três Poderes - executivo, legislativo e judiciário - basicamente e teoricamente, conforme acontece hoje no Brasil. Digo teoricamente, pois em nossa nação, teoria e prática não são percebidas e vivenciadas na mesma proporção.
             
 Mas, o que tudo que escrevi até agora tem a ver com transparência?
             
 Ao escolher, através do voto, aqueles que irão nos representar, administrando grande parte daquilo que é público, esperamos poder contar com algumas coisas e entre elas, sem sombra de dúvidas, a transparência. Mas, por que ela é tão temida?
             
Como cidadão, eleitor, pagador de impostos... só me resta pensar uma resposta, para tal pergunta: a transparência é temida pois a falta dela esconde tudo de podre que está presente na vida pública da nossa cidade, estado e país.
             
 Quando todos aqueles, que de uma forma ou outra, envolvem-se com coisas públicas, tais como, licitações, prestações de serviços, fornecimento de produtos diversos... entre outros, e teme a transparência, no mínimo, é uma atitude eticamente condenável e que permite as mais inquietantes dúvidas. Sendo mais direto, por viver em terras tupiniquins, a falta de transparência é a porta de entrada de todos os males que corroem nossa sociedade, permitindo-nos pensar que ali ocorreu mais uma prática em que a corrupção esteve envolvida.
             
 Inexistente, de fato. Tem se tornado motivo de intermináveis polêmicas, processos, jogos de cena... chegando ao ponto de ser percebida como uma total falta de respeito, perante todos aqueles que queiram saber os detalhes da vida pública.
              
Todos os dias, acompanhamos pelos noticiários locais, estaduais e nacionais, escândalos das mais variadas formas e em todos eles a transparência das informações não está presente. Esconde-se tudo, nega-se tudo... há uma ojeriza pela transparência dos fatos, das informações.
               
Acredito, que seria muito mais autêntica, a vida pública, se todas a pessoas que almejassem saber o que acontece nos bastidores do poder, tivessem acesso as informações,  sem rodeios, sem relatórios faz de conta, que dizem mostrar tudo, mas que na verdade não nos permite saber, pelo menos em que o nosso dinheiro está sendo gasto.
              
Sei que alguns, ao lerem este artigo, poderão se perguntar, e a Lei da Transparência, não tem este objetivo? A lei sim, mas lanço aqui um desafio, procure se informar de algum escândalo que tenha acontecido nos últimos anos no seu município e busque todas as informações referente a ele. Vá na prefeitura e/ou na câmara de vereadores protocole o seu pedido de informação e veja o que vai acontecer. Se você irá receber as informações que procura. E caso receba alguma resposta do seu pedido, observe se é suficiente para entender e desvendar o escândalo que você almeja ver resolvido.
              
É inacreditável, mas é a mais pura e cruel realidade. A falta de transparência virou rotina, um vício enraizado nas repartições públicas do nosso país. De acordo com a lei temos o direito de saber, de praticamente tudo, que acontece na esfera pública, mas na prática, a realidade é outra, esconde-se as informações, mente-se, engana-se, falsifica-se... e quando a transparência diz acontecer, ela fica tão transparente que não se vê nada.
              
Se for possível afirmar, que o dito popular, mencionado acima é verdade, chegaremos a triste conclusão que estamos sendo assaltados todos dias, por aqueles que deveriam cuidar do que é nosso. Pelo visto, pelo que parece, o medo da transparência, é fruto do temor de todos saberem que a vida pública, virou um pseudônimo, infeliz, para as questões que envolvem, a vida particular de alguns.


Walber Gonçalves de Souza é professor do Centro Universitário de Caratinga.
(Artigo publicado simultaneamente nos jornais: 
Diário de Caratinga; Diário de Manhuaçu e Diário de Teófilo Otoni no dia 09/05/15) 

domingo, 26 de abril de 2015

Artigo

O Renascimento de Caratinga
Walber Gonçalves de Souza


                Você pode não acreditar, principalmente se o leitor for de uma geração mais recente, mas em tempos idos, a nossa Caratinga figurou entre as cidades mais importantes do Estado de Minas. Parece difícil crer, mas é verdade.
                Na terra das palmeiras, encontravam-se indústrias de pregos, cerveja, calçados, macarrão, álcool (coopercana)... um aeroporto em pleno funcionamento, grandes salas de cinema, empresas que não funcionam mais nos dias atuais, mas que na época, eram de renome nacional e/ou regional,  como, Arapuã (empresa comercial de eletrodoméstico), Força e Luz Coutinho e Penna (energia), cooperativas de leite (CCPL)...  outras que estão em pleno funcionamento até hoje, tais como: Lojas Pernambucanas,Viação São Geraldo, Transcolim,  1001 (empresa de ônibus)... sem esquecer das mais recentes que de alguma forma deixaram de funcionar, cito: Nutrícia (empresa de derivados de leite) e Rocinsk (empresa de bijuterias). E mais um dado para entender a importância comercial de Caratinga, na década de vinte, nossa cidade se destacava por ser a principal produtora de fumo e criação de suínos do Estado de Minas, acredite, ocupava o primeiro lugar na produção e comercialização destes produtos.
                Seguindo o seu rítmo, o tempo foi passando, aos poucos algumas empresas foram falindo, outras foram deixando de exercer as suas atividades e tantos outras foram continuar seus exercícios comerciais em outras terras. Caratinga fixou-se no plantio e colheita do café e no comércio direto e indireto desta atividade. E junto a tudo isto, para dar um novo enredo, nasce uma míope mentalidade, que pode ser resumida da seguinte forma: toda atividade, sendo ela comercial, empresarial, prestadora de serviço, que de alguma forma não tiver seu cordão umbilical grudado em alguém que seja nativo, não será bem-vinda, com a justificativa que irá sugar recursos, dinheiro da cidade. E pelo visto esta ideia foi crescendo, agigantando-se e por um longo período não víamos nada brotar em nossa terrinha. Parece ter desertificado!
                Mas em meio as mudanças climáticas, que assolam o planeta, os ventos, pelo que parece, estão tomando outras características e começam a balançar as palmeiras da nossa Caratinga, para outras direções. Nota-se um novo cenário, o "Renascimento de Caratinga".
                É possível observar que de um anos para cá, cerca de uma, duas décadas, várias empresas começam a fixar raízes em nossa cidade. Algumas em pontos alugados, outras com investimentos mais altos, criando seus próprios pontos comerciais. Para exemplificar, podemos citar: o Supermercado Coelho Diniz, a Farmácia Indiana, a "invasão" dos chineses e seus diversos tipos de produtos, a Engelmig (empresa de material de construção), os varejistas de produtos eletrodomésticos: Casas Bahia, Magazine Luiza, Ricardo Eletro, Zema... as mais recentes, Malwee, Bob´s, Lojas Americanas, Hering, Genoma, a Rede de Hotel Bristol...  e pelo que se sabe outras estão chegando.
                Mas o que há de comum em todas elas? Primeiro: as histórias que as acompanham. Quem é que não ouviu uma das seguintes afirmações: quando o Coelho Diniz abrir suas portas, coitado do Mercadinho do Serginho, vai falir e o Supermercado do Irmão nunca mais será o mesmo; coitado do Renato da Casa do Ciclista, vai fechar as portas, tamanha a concorrência, ele não vai suportar a disputa pelo mercado com as grandes nacionais; o Ita Lanches vai perder seus clientes para o Bob´s; os chineses vão detonar o Caratinga Importados; os professores da Escola Jairo Grossi, CNEC e CIC estão perdidos, todos os alunos da cidade vão para o novato Genoma; as pequenas farmácias pedirão concordada, pois não suportaram competir com a Indiana; e a mais recente que ouvi, a Casa Doce "está frita" vai perder todos os seus clientes para as Lojas Americanas. Segundo: aquela velha ideia: esse povo vai acabar com Caratinga, estão vindo para cá para levar todo o dinheiro daqui, ficaremos a bancarrotas. Terceiro: pelos comentários, que rodam pela cidade, nenhuma teve facilidade para começar suas atividades por aqui. Cada uma, de alguma forma encontrou algum entrevero para iniciar seus projetos. 
                Ao que parece as histórias não se concretizaram e pelo visto em vários casos o efeito foi positivo, pois fizeram as empresas repensarem suas práticas organizacionais, adaptando-se à nova realidade e buscando novas iniciativas.
                Assim sendo, percebe-se que o vento não pára de soprar, as palmeiras não cessam de tremular. E as poeiras que arcaicamente nelas se encontravam, tirando sua beleza, ofuscando o seu brilho, começam a se dissipar. O "Renascimento de Caratinga" é uma realidade. E para brindar este novo momento, aos amantes da noite, nada melhor do que freqüentar a "Savassi" caratinguense, que diga-se de passagem marca este novo momento da nossa querida e "renascentista" Caratinga, sem esquecer, é claro, do renomado Chuletão. Tomara que este "renascimento" comece a ser verificado, também, em outros aspectos da nossa sociedade. Vamos torcer para que alguém viva este novo tempo! Porque não, nós mesmo!

Walber Gonçalves de Souza é professor.
 (Artigo publicado nos jornais: 
Diário de Caratinga e Diário de Manhuaçu, no dia 25 de abril)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Artigo

A Pátria Educadora e a UNESCO
Walber Gonçalves de Souza

                Último ano do segundo milênio, líderes de 164 nações reuniram-se na famosa cidade de Dakar, no Senegal, para mais um encontro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). E o resultado deste encontro foi a criação de seis metas, que deveriam ser cumpridas pelos países participantes até 2015. Todas elas diretamente ligadas à educação.
                As metas estabelecidas no encontro, pela Cúpula Mundial da Educação da ONU são as seguintes: Meta 1: ligada à primeira infância, propõe expandir a educação e os cuidados na primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Meta 2: universalizar a educação primária, particularmente para meninas, minorias étnicas e crianças marginalizadas. Meta 3: destinada aos jovens e adultos tem como objetivo garantir acesso igualitário de jovens e adultos à aprendizagem e a habilidades para a vida. Meta 4: proporcionar uma redução de 50% nos níveis de analfabetismo de adultos. Meta 5: alcançar a paridade e a igualdade de gênero. Meta 6: melhorar a qualidade de educação e garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos.
                Os anos passaram e 2015 está aí, sendo vivido por todos nós. Ano em que as metas deveriam ter sido alcançadas pelos países envolvidos. Assim, no último dia 08 de abril, a Unesco divulgou o relatório analisando o cumprimento ou não das tais metas pelos participantes.
                De acordo com o documento, vamos ver como ficou a situação do Brasil, a "pátria educadora". Das seis metas propostas, nossa nação alcançou duas, que são: meta 2, que trata da educação primária e meta 5, que tem por objetivo dar tratamento igual para meninas e meninos na educação. As outras quatro não foram alcançadas, deixando assim de serem cumpridas.
                Como não poderia deixar de ser, principalmente porque os dados apresentados não são favoráveis, o Ministério da Educação, contestou as informações do relatório. O referido ministério, analisando, segundo sua ótica, e não poderia ser diferente, contradiz as argumentações feita pela Unesco.
                Mas de fato o que estes dados apresentam? Que lições podemos tirar desde cenário descrito pela Unesco? Uma resposta, bem simplória, que podemos dar é que, temos que melhor, avançar, mas avançar mesmo, se quisermos ser o mencionado slogan da atual gestora pública, que é "Brasil: Pátria Educadora".
                Sabemos que as metas propostas não são problemas somente do Brasil, mas sim de boa parte do mundo. Justamente por isso, viraram metas que deveriam ser perseguidas e atingidas. O Brasil alcançou poucas metas. Qual seria a melhor justificativa para tal feito? Falta de interesse da população? Políticas públicas ineficazes? O nosso modelo de desenvolvimento social não condiz com nossa realidade? O que aconteceu para não atingirmos boa parte ou a totalidade, que deveria ter acontecido, dos objetivos propostos pela Unesco? Objetivos que em 2000 foram aceitos e ratificados pelo Brasil.
                São perguntas, que parecem ficar no vácuo das argumentações. Mas que, infelizmente, representam um quadro social, em que a educação de fato, não é prioridade em nosso país. São 515 anos de descaso, sendo deixada de lado, ou tratada como forma de fazer politicagem, a exemplo do que acontece em vários outros setores, como saúde, cultura, economia...
                A existência das metas e o seu não cumprimento é a perpetuação de um cenário de desequilíbrio social. Onde a violência, a fome, o jeitinho, a brutalidade, a aversão à meritocracia... reinam sem ser incomodadas. Sendo um "prato cheio" para políticos e suas políticas torpes, mesquinhas, populistas...
                Quando preferimos não enxergar a realidade, acabamos aceitando como verdade uma situação que de fato não condiz com o que está acontecendo. Ao rebater o relatório da Unesco, o Ministério da Educação prefere mentir para si mesmo e como os sofistas criar argumentos que tentam mostrar aquilo que não existe. E quem mente para si mesmo, não encara a realidade, sendo a primeiro forma de fugir do problema e por conseqüência não resolvê-lo.
                O slogan Pátria Educadora só se tornará uma realidade quando a Pátria acreditar e dar o devido valor à educação. E as metas continuam...


Walber Gonçalves de Souza é professor. 

(Artigo publicado nos Jornais Diário de Caratinga, Diário de Manhuaçu e Diário de Teófilo Otoni, no dia 18 de abril
www.diariodecaratinga.com.br/?p=8329)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Artigo no Jornal Estado de Minas


Quero partilhar a alegria de ver, na edição de hoje, 16 de abril, do Jornal Estado de Minas, a publicação de um texto escrito por este professor com o seguinte tema: "A polêmica da maioridade penal".

terça-feira, 14 de abril de 2015

Participação em reportagem

Assista no vídeo abaixo, a participação deste professor na reportagem de Willian Ribeiro, para a TV Super Canal de Caratinga, sobre o tema "Modernidade versus violência". 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Maioridade penal
Walber Gonçalves de Souza

O debate sobre as mudanças que envolvem a maioridade penal no Brasil não é recente. Usufruindo do jargão popular, "desde que me entendo por gente", ouço falar sobre o tema. Portanto, já faz uns bons anos!
Resumidamente, podemos dizer que a discussão está em alterar dos atuais 18 anos para 16 a idade mínima com que cada indivíduo venha a responder juridicamente pelos seus atos.
A balança, um dos símbolos da considerada justiça brasileira,  está com seus pratos lotados de argumentos favoráveis e contrários à mudança na maioridade penal. E ai fica aquela dúvida no ar, qual dos lados está repleto de argumentos mais substanciais? Vindo a sim por um ponto final na discussão em questão.
As pessoas que se manifestam pela manutenção da idade atual, 18 anos, defendem que antes desta idade o sujeito ainda é imaturo, não sabe o que quer da vida, está se firmando enquanto cidadão, não é responsável o suficiente pelos seus atos... para muitos é considerado ainda uma criança.
Já as pessoas que manifestam o contrário, portanto, querem a mudança na lei constitucional, que trata sobre a maioridade penal, o fazem com os seguintes argumentos: a lei deve ser mudada pois ela é antiga e não está adequada para o cenário contemporâneo, assim sendo, um jovem do terceiro milênio não pode ser tratado da mesma forma de um jovem dos anos 50; uma pessoa de 16 anos já sabe exatamente o que está fazendo; se uma pessoa de 16 anos pode votar, decidir o futuro de um país, ele também deve responder pelos seus atos.
Assim sendo, os argumentos aparecem de todos os lados. Alguns com consistência e outros aparentam ser apenas clichês ou aquela opinião politicamente correta.
Mas mergulhado neste momento histórico em que estamos vivendo tenho a seguinte impressão. Mas uma vez não queremos resolver o problema que envolve toda esta celeuma. Discutem a burocracia, como se ela fosse a responsável direta pela solução dos nossos males. E não justamente o contrário. No Brasil, através dos nossos representantes políticos, parece ter impregnada a mentalidade burocrática, em que mudando ou criando leis, os problemas se resolvem.
Se os problemas que envolvem a questão da maioridade no Brasil fosse encarada de frente, com o objetivo de tentar, realmente, resolver o problema, acredito que estaríamos olhando em outra direção e não apenas na questão da idade.
Só para ilustrar meu pensamento, resgato algumas leis conhecidas nacionalmente, que colaboraram de alguma forma para movimentar a discussão, mas que eficazmente resolveu muito pouco ou quase nada os problemas por elas tratadas, cito entre elas, a Lei Ficha Limpa, que já a tornaram encardida, ou bastante suja, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que não respeitado pelo próprio Estado, pois entre outras coisas não conseguiu até hoje universalizar o ensino, portanto, não cumprindo o estatuto, por ele mesmo criado, o Código do Consumidor... este estão nem se fala!
Enfim, 18 ou 16, pouco importa se a lei realmente não for colocado em prática com lisura e clareza, sem estes eternos subterfúgios provenientes das intermináveis e inescrupulosas interpretações das leis.
Enfim, 18 ou 16, pouco importa se a impunidade ainda for a rainha do nosso país. A falta de crédito nas instituições de segurança pública, incluo aqui judiciário, chegou ao ponto de virar motivo de chacotas e piadinhas entre os meliantes. Pois ninguém acredita mais na real aplicabilidade da lei, gerando assim, o sentimento de impunidade.
Enfim, 18 ou 16, pouco importa se os direitos básicos do cidadão continua sendo desrespeitado. A constituição que deveria ser a primeira a ser cumprida... está longe de se tornar uma realidade. Ilustro como a aquela máxima: somos todos iguais perante as leis. Somos mesmos?
Enfim, 18 ou 16, pouco importa se o dinheiro público continuar sendo mal usado. Como se fosse algo para satisfazer os interesses particulares daqueles que comandam as três esferas do nosso país.
Enfim, 18 ou 16, pouco importa se as pessoas continuarem sem perspectivas, caindo nos contos falsos da facilidades do crime, nos ambientes que adormecem o ser.
Pouco importa, muito pouco importa, ficar discutindo burocracia e não tornar eficaz as decisões que são tomadas. Aposto, que se o nosso país fosse, mesmo que minimamente, um país em que as instituições se tornassem respeitadas, o que estaria menos em pauta seria a idade, pois neste lugar estaríamos buscando, de fato, soluções possíveis e coerentes para que cada pessoa independente da idade, 16 ou 18 anos, se tornasse um cidadão consciente que é gente, e que deveria agir como tal.

Walber Gonçalves de Souza é professor do Centro Universitário de Caratinga. 
(Artigo publicado no Diário de Caratinga no dia 11 de abril) 


sábado, 11 de abril de 2015

Educação para brasileiro ver
Prof. Walber Gonçalves de Souza

                Algumas verdades sobre a educação merecem todo o crédito e acredito que negá-las seria um absurdo. Incluo neste pacote de verdades, entre outras, as seguintes: educação é um direito de todos; devemos educar para a vida; a relação escola e família deve ser harmoniosa; os países desenvolvidos iniciaram seus processos de desenvolvimento pela educação; a educação é a base do desenvolvimento pessoal e social...
                Existem vários fatores que comprovam as afirmativas acima. Como exemplo, cito a constituição, que é a lei máxima da nação e assegura o direito à educação para todos. Nesta direção, este princípio deveria ser o guia central para o desenvolvimento das potencialidades dos indivíduos que compartilham da nação.
                Como professor, tenho que acreditar na educação. Senão não faz sentido o meu ofício. O contrário reforça a ideia do caos, da perpetuação das conjunturas adversas, da decadência humana e da crença que mudar se torna uma prática impossível. Mas a realidade é cruel, e acaba criando o sentimento de fracasso, que em muitos casos torna infecundo o papel do professor. Reforçando ainda mais o sentimento de inutilidade social.
                Neste sentido, acreditar na importância da educação se torna o cerne das transformações que desejamos. Haja visto o exemplo de inúmeros países que trilharam o caminho do saber, para ilustrar menciono o Japão, a Inglaterra, França... e a candidata a potência mundial, a China, que tem revisto seus programas de educação pública, na expectativa de manter o seu quadro de desenvolvimento.
                No Brasil, as páginas que contam a história educação, infelizmente, na maioria dos casos não são preenchidas de glórias, de acontecimentos positivos, pelo contrário, quase que chegamos sempre naquela mesma conclusão: nossos governantes não olham o educação da forma que deveria; povo sem escolaridade é massa de manobra, não questiona... e assim por diante. Até mesmo quando os indicies oficiais indicam uma direção, a realidade, que é o termômetro real, diz outra. Mas isto não é uma novidade pra ninguém!
                Mas como todo livro, podemos escrever novos capítulos, novas edições, a história pode tomar outros rumos. E é justamente isto que o professor deve acreditar... nas novas páginas a serem escritas.
                Quantos problemas poderíamos evitar, até os custos dos órgãos públicos poderiam se redirecionados, se a educação fosse realmente prioridade e de suma importância. Imaginemos, algumas situações:
                Quando a educação, de fato acontece, realmente ela transforma a vida das pessoas. Não só financeiramente, mas em outras dimensões da sua vida. Um povo educado, portanto com conhecimento, procura ter uma alimentação melhor, noções de higiene... e onde isto reflete, na saúde, num povo mais saudável, e pensamento friamente em menos gastos para o sistema de saúde. Um povo educado, portanto com conhecimento, cuida do corpo, através de atividades físicas e/ou demais atividades que reduzem o sedentarismo. Um povo educado, portanto com conhecimento, cuida, como diria Platão, da alma... buscando ler, refletir, pensar... e onde isto reflete, na saúde mental, tornando a pessoa mais polida, equilibrada. Um povo educado, portanto com conhecimento, cuida dos valores e tradições que engrandecem os seres e os tornam mais humanos... e onde isto reflete, no olhar o outro com dignidade. Um povo educado, portanto com conhecimento, cuida dos patrimônios culturais, zelam pelos espaços públicos... e onde isto reflete, na convivência com menos violência e com mais respeito. Um povo educado, portanto com conhecimento, cuidas das ruas, das praças, deposita seu lixo para a coleta nas horários pré-estabelecidos... e onde isto reflete, na harmonia do ambiente, na beleza natural das coisas, no sentimento de pertença.  Um povo educado, portanto com conhecimento, não se vê como massa de manobra, acredita em si mesmo, expurga os corruptos, crê nas possibilidades, agi, busca, trabalha... e onde isto reflete, em uma sociedade melhor e justa para todos. Um povo educado, portanto com conhecimento, não tem a síndrome da "Lady Kate": "tô pagando". Um povo educado, portanto com conhecimento, evita os métodos ilegais, os jeitinhos, as manobras, os arranjos individualistas... e onde isto reflete, em menos gastos com o sistema penitenciário. Enfim, um povo educado, portanto com conhecimento, torna-se cada vez mais gente como atitudes próprias dos seres humanos.
                Portanto, acreditar na educação é acreditar na transformação, em novos cenários, no possível... no desenvolvimento de uma sociedade justa e próspera. A exemplo do que acontece na Dinamarca, Noruega, Suécia...
                Mas por que no Brasil isto não acontece, de fato? A resposta é muito simples: o caos gera a necessidade; a necessidade gera a "cegueira"; e a "cegueira" produz o pior de todos os covardes, que de acordo Bertolt Brecht, seria o político lacaio, corrupto... aquele que não educa, para tentar garantir sempre a manutenção dos seus cordiais eleitores.
                Parafraseando o dito popular "para inglês ver", termino este texto, dizendo que nossa educação é "para brasileiro ver". Pois de fato ela não cumpre os objetivos nos quais ela se fundamenta.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Evento sobre a ditadura militar

Evento bacana com alguns alunos do 3 ano da Escola "Professor Jairo Grossi". Em parceria com o NUDOC (Cláudio Barros e José Geraldo Batista) e o Cine Clube Maria Sena assistimos dois documentários sobre a ditadura militar no Brasil. Uma reflexão bem pertinentes aos dias atuais!!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Sugestão de leitura


O autor discute, no livro, a teoria e prática do socialismo. Mostra que na prática o socialismo nunca funcionou em nenhum lugar e discute também a teoria como sendo algo impossível de ser por na prática. Uma discussão interessante. 
Na minha opinião, o autor foi muito repetitivo em suas ideias. Mas como toda leitura é válida, valeu a pena!!!